À espera no jardim...

terça-feira, 4 de março de 2008

Esperei no nosso jardim, tal como tinhas combinado no dia anterior, sentei-me naquele banco com vista para o rio e esperei... Sentia-me feliz, ansiosa. Sempre me senti assim antes de te ver, com o coração aos pulos, inquieto, com uma felicidade imensa de saber que em breve estarias ao meu lado.

O sol era quente e uma brisa suave tocava-me na pele refrescando-a. Sentia o doce aroma das flores, era Primavera e elas à pouco tinham florescido. Os pássaros pareciam voar alegremente, entre voos alados e cantos melodiosos. Respirei bem fundo, sentia-me viva, sentia-me feliz.

Olhei em redor… ainda não tinhas chegado, mas em breve chegarias, eu sei que em breve estarias ao meu lado e eu veria novamente o brilho no teu olhar, aquele brilho especial que só aparece quando olhas para mim, iria rever esse teu belo sorriso, essa tua doçura. Iria novamente sentir o calor do teu abraço…
Em breve chegarias… eu sei que sim… eu breve voltaria a estar contigo… nós combinamos…

Mas tu demoraste…

E eu continuei lá à espera… sentada… e as estações passaram por mim… o frio gelou o meu corpo… e eu transformei-me em pedra… e fique lá, imóvel, à tua espera… e os anos passaram, e os ventos e as tempestades foram sempre cruéis e tentaram-me derrubar, mas eu aguentei, aguentei porque sei que um dia vais lá chegar… e é lá que te espero… tu sabes onde… é lá que sempre irei esperar por ti… naquele jardim… em lugar nenhum…


Other Time...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Eu sei quem tu és… conheci-te numa vida passada. Eu sei o teu nome, eu sei os teus gostos, eu sei como é o teu sorriso, eu conheço os teus medos… conheço-te quase como quem se conhece a si mesmo… e apesar disso sinto-te tão distante, como se te tivesse conhecido numa outra vida…
Um minuto de tempo tornou-se numa hora, essa hora num dia, esse dia num mês, esse mês num ano… e esse ano… esse ano tornou-se numa eternidade… numa impossibilidade e numa irrealidade que eu já consegui aceitar.
Admiti-lo não foi fácil, mas finalmente reconheci… o que ninguém sabe, o que só eu irei sentir, o que será só meu, eternamente meu, eternamente guardado, na minha caixa de Pandora, que nunca mais ousarei abrir… não prometo para sempre… talvez numa outra vida… possivelmente…
Vou-me esquecer de ti… mas talvez… talvez eu nunca me tenha lembrado…

A espera...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Não receies, meu Amor… a nossa hora está para breve… já falta pouco… lembra-te daquele momento, quando o sol se punha lá ao longe e o teu olhar foi tão intenso que por momentos me esqueci que existia um mundo à nossa volta…
Espera por mim… longos foram os dias, longos foram os meses de espera, agora peço-te eu, espera por mim…
Voltarei antes que o sol se ponha, antes que a noite te cubra de silêncio e frio… voltarei e o meu abraço irá proteger-te como um escudo de calor, um escudo que te irá livrar de toda a solidão, de toda a dor que o mundo te possa causar…

Esquece o tempo, ignora todos os minutos, todos os segundos, porque o tempo é relativo, e todo o tempo é insignificante perante todo este Amor que guardo no meu peito… não te leves pelo receio de uma espera em vão… eu voltarei, meu Amor, prometo-te que voltarei, e com o tempo verás que na verdade nunca cheguei a partir, pois estive sempre junto a ti, dentro do teu coração, assim como tu estiveste e estarás sempre no meu…

Let me fall...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Deixa que eu pare de respirar, deixa que eu pare de sentir, deixa que eu morra… sim, deixa que eu morra, deixa-me sentir o frio da morte, pois sei que até o meu gélido corpo morto, será mais quente que a gélida e inútil da minha alma.

Sim, a inutilidade desta alma… esta alma que negligenciou o coração e o tornou apenas mais um pedaço de carne amontoada à restante, que a única função é bombear o meu sangue, apenas para que eu possa permanecer-me viva. Mas de que me vale estar viva, se por dentro estou morta? De que me vale um coração, se este bate sem sentimentos, sem emoção alguma… de que me vale este corpo, se a inútil da minha alma continua a corromper tudo o que poderia trazer novamente sentimentos a este despedaçado coração?

Então deixa que eu caía, deixa que eu rasteje, deixa que eu permaneça sem vida na escuridão, para que depois eu sinta um pouco de felicidade a correr-me pelas veias só por levantar a cabeça… e se eu a levantar corta-ma, pois nesse momento não serei merecedora de sequer um olhar teu.

Waiting...

Haverá maior silêncio? Maior tempestade? Maior dor? Haverá pior sentimento que aquele que sentimos quando perdemos alguém que Amamos, nem que seja por alguns segundos?Haverá maior desgosto do que a sua ausência?... Do que a sua partida sem o nosso consentimento, sem a sua previsão?…

É dor que nos arrasta, é dor que nos despedaça, dor que nos corta o coração vezes e vezes sem conta, até desejarmos não mais desejar… até ao dia que andamos, caminhamos, mas sem vida, sem alma…Haverá maior tortura do que a espera….

Aquela estúpida esperança que não nos deixa desistir, que não nos deixa virar costas, que nos mantém firmes como um escudo, onde apanhamos com todos os destroços do que já foi, do que já não é… e sangramos, sangramos sem parar, sangramos porque as lágrimas já secaram, porque já nem forças temos para estancar a ferida… e sangramos e esperamos que chegue o dia que o sentimento morra, mas no final quem morremos somos nós…

Pensamentos...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

O caminho não é longo, mas o meu passo é apressado, por este curso vestido de cinzento, vazio, varrido de qualquer beleza. Lá ao longe vejo o sol que cai sobre a orla das árvores e eu prendo-me nesse momento de puro esplendor. Mais ninguém se avista, mas talvez também não conseguiriam ver o que eu hoje vejo, não com os meus olhos, não com a atenção que hoje agora lhe dou. Não saberiam apreciar este doce momento, que me enche de vida e sabedoria.



Penso em ti, na falta que me fazes e todo o meu corpo se exalta de insatisfação por não poderes estar ao meu lado. Sinto as minhas veias pulsarem por não te poder abraçar neste momento, por não poder ver o teu olhar, por não saber o que estarás a pensar neste momento.

Tu que foste alguém cujo olhar me embarcou por mil e uma aventuras, aceitando desafios, correndo riscos que não hesitei correr. E agora encontras-te distante de mim, como um castigo de quem não pode presenciar de demasiada felicidade, para que esta não caía na banalidade de um sentimento acomodado a uma relação.

Sim, hoje sei que até estes momentos sem ti são necessários, para que dentro de mim se encha um sentimento de saudade, de necessidade, de retorno. Pois sei que quando voltares sentirei novamente aquele sentimento de quem volta ao lar, ao seu ponto de abrigo, após uma longa ausência.

Mesmo assim, não te admires se eu não controlar este desejo de regressar aos teus braços, como quem procura água no meio de um deserto, como quem anda à deriva sem leme, procurando ansiosamente por terra firme.

Finalmente estava a chegar a casa, o sentimento de cansaço apoderou-se de mim, só mais uns passos e estou lá… mas para quê tanta pressa? Já sei que nada, nem ninguém me espera, naquela casa vazia, onde habitam pessoas que não me vêm como realmente eu sou. Que não se atrevem a ver o mundo como eu o vejo, que nunca arriscaram a seguir os seus instintos, os seus sonhos, que não se atreveram a viver plenamente. Quem são, senão apenas seres acorrentados ao mundo que os rodeia, que não param para terem as suas próprias ideias, que se deixam seguir pela corrente da vida.

É por isso que me fascinas. Tu que não receias caminhar ao meu lado, que me ouves com atenção, que partilhas ideias comigo e as entendes. Tu que devoras as minhas palavras e falas com a sabedoria de quem pode ainda não ter vivido muito, mas que deseja viver, por sua própria vontade, com as suas próprias ideias e não receia o incerto, o que nunca lhe foi contado, o que nunca lhe ensinaram. Procuras, tal como eu, respostas, soluções, outros pontos de vista, outras formas de ver o que nos rodeia.

Entro finalmente em casa e os seus olhares seguem-me atentamente, como quem procura respostas a perguntas que não ousam fazer. Eles sentem que sou mais do que aparento ser, eles sabem que dentro de mim há mais vida do que eles vêm. Mas para quê lhes contar? Se já tentei vezes sem conta e apenas recebi em troca olhares de quem não entende, de quem não quer entender, como se eu fosse alguém de outro mundo que não sabe o que diz.

Aprecio o silêncio…

Sim, aprecio. O silêncio não é apenas algo obscuro que muitos temem, não é algo deprimente. É algo que considero necessário, que me pode trazer tranquilidade e equilíbrio por dentro. Ouço-me. Ouço o que eu tenho para dizer a mim própria, sem mais ninguém a interferir. Ouço atentamente o que tenho para me dizer e sorrio.

Sinto-me feliz no silêncio do meu quarto. A janela aberta apenas traz-me murmúrios das pessoas que passam lá fora e uma leve brisa fresca envolve-me. Não ouço o que eles dizem, mas também não tem importância, apenas fazem sentir a sua presença, para que eu não me esqueça que lá fora o mundo continua a pulsar de vida a cada canto, em cada rua da cidade, ou num campo no lugar mais remoto possível. Assim saberei quando regressar, pois não posso prender-me eternamente em pensamentos, não poderei passar todo o meu tempo a escutar-me. Só o necessário, farei apenas o que for necessário, para que depois possa voltar ao mundo que me espera lá fora e viva, mas viva com orgulho, com alegria, com esperança nos olhos, de forma arrojada, de forma sensata, com o medo necessário que se precisa para se viver, mas com a coragem de quem vive e não tem medo de ver toda a vida ao seu redor.

E se um dia olhar à minha volta e já não encontrar o que outrora me tornou feliz, não me sentirei desolada, pois pelo menos um dia, numa altura qualquer, minha vida terá ficado marcada por alegrias constantes, por sentimentos felizes, por momentos marcantes de quem viveu a sua vida na sua plenitude, no seu máximo esplendor.

Um Momento Contigo (Parte I)

quarta-feira, 2 de maio de 2007



Mentiria se dissesse que não o tinha desejado, que não o tinha ansiado durante muito tempo, embora achasse impossível tal acontecer. Mas a verdade é que durante noites fantasiei com o seu toque na minha pele, como o calor do seu corpo, com o toque quente e suave dos seus lábios nos meus…

Não, claro que nunca o admiti, jamais poderia eu admitir que o corpo falasse mais alto que o coração! Não, ainda hoje não sei bem o que aconteceu, embora não me arrependa de nada, foi um momento bom que aconteceu, porque me haveria eu de arrepender?

Nesse dia a chuva batia forte na minha janela e eu não tinha inveja nenhuma das pessoas que andavam nas ruas com aquele frio cortante, preferia o quente da lareira da minha sala e o aconchego dos meus cobertores, enquanto tomava um chocolate quente que tinha preparado à poucos minutos atrás.

Não liguei a televisão, nem sequer sabia se estava a dar alguma coisa de jeito, simplesmente estava num daqueles dias que até preguiça tinha de ver um filme, preferi ligar a aparelhagem e ouvir umas musicas bem calmas enquanto via a chuva a cair lá fora…. Não conseguia definir o meu estado de espírito, por isso livrei a minha cabeça de quaisquer pensamentos, queria apenas passar uma tarde relaxada para compensar o stress semanal.

Comecei a sentir-me sonolenta e deixei os meus olhos caírem, tinha dormido tão pouco durante toda a semana, ia-me fazer bem dormir um pouco, mas mal os meus olhos se fecharam, minha mente começou a trabalhar…




Eu estava sentada no sofá quase a dormir quando tu apareceste por trás e abraçaste-me… foi tão bom sentir os teus braços a cercarem-me! Lentamente despertei e inspirei fundo sentindo o teu doce perfume.

- Pensei que nunca mais vinhas, esperei tanto tempo por ti… - disse num tom baixo, quase com medo que se falasse mais alto que irias fugir novamente…

Moveste-te ficando à minha frente e levantaste-me do sofá com ternura. Olhei bem no fundo dos teus olhos, naquele azul, oceano, afoguei-me tantas vezes nesse teu mar. Abracei-te com força, com a máxima que podia, não te queria deixar fugir novamente, não eu não podia permitir que isso voltasse a acontecer! Sei que sentiste o meu coração a saltar do meu peito, pois também me abraçaste com força e carinho, e afagaste-me os cabelos.

Não contive uma lágrima, “Tive tantas saudades tuas…” pensei.

Delicadamente pegaste na minha cara, limpaste me as lágrimas e beijaste-me na testa. No meu olhar eu trazia tanta dor, tanto sofrimento da tua ausência.

- Não chores mais, meu Amor, não voltarás a perder-me nunca mais… - voltei a procurar conforto nos teus braços, eu sabia que te voltaria a perder, mas mesmo assim decidi aproveitar o momento, sabia tão bem voltar a estar nos teus braços, sentir o teu cheiro, o teu calor… oh, deixa-me ficar só mais um pouco, só mais um pouco…

Acordei. Fui despertada pelo tocar do meu telemóvel, alguém me tentava telefonar… “Será que…”, pensei, mas esse pensamento foi logo derrubado, eu sabia bem que tu nunca me irias telefonar. Rapidamente confirmei isso ao ver o nome de quem me telefonava.

- Estou… - minha voz parecia sufocar, aquele sonho tinha-me deixado sensível e frágil. Ouvi atentamente a voz do outro lado tentando esquecer o que tinha sonhado. Depressa o meu estado de espírito mudou. – Espera só um pouco, vou já para ai!

Calcei as minhas botas, vesti um casaco bem quente, agasalhei-me o máximo que pude, peguei no guarda-chuva, meti o telemóvel ao bolso e segundos antes de sair, respirei fundo… Não me apetecia nada enfrentar o frio que se fazia sentir lá fora, mas não tinha outra escolha.


(Continua...)

 
by TNB